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Onde os sonhos morrem
Runesnafael
10/13/2026

Onde os sonhos morrem
Runesnafael
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Lyrics
[Intro — Piano lento, quase como uma canção de embalar] Fecho os olhos devagar, Deixo o quarto para trás. Há um mundo à minha espera Onde a noite nunca acaba. Tenho estrelas nos meus passos, Tenho névoa pelo chão. E uma porta entreaberta A chamar-me pelo nome, sem razão. [Verso 1 — Piano e voz suave] Encontrei cidades vazias, Com relógios sem ponteiros. Vi pessoas nas janelas, Imóveis como manequins de cera. Havia escadas para o céu, Mas levavam ao mesmo chão. E um comboio sem carruagens Que passava sem estação. Ao princípio, achei bonito, Como um livro por abrir. Até ouvir, por trás de mim, Mil passos a repetir. Virei a cabeça depressa. Não havia ninguém ali. Mas os passos continuavam… E vinham todos atrás de mim. [Pré-Refrão — O baixo começa a entrar] E eu sei que estou a sonhar, Mas não consigo acordar. Há qualquer coisa neste mundo Que não me quer deixar voltar. [Refrão — Piano mais pesado, baixo profundo] Leva-me daqui, Não me deixes adormecer. Há monstros no escuro Que sabem o que eu temo ver. Há gigantes sobre as casas, Há mil mortos no jardim. E quanto mais tento fugir, Mais o sonho foge de mim. Leva-me daqui, Eu já não quero explorar. Porque tudo o que me assusta Aprendeu a sonhar. [Verso 2 — Ritmo lento, notas graves de piano] Vi a Morte à minha espera, Sentada no meu lugar. Não tinha rosto nem voz, Mas sabia o meu olhar. Trazia um relógio parado E uma cadeira ao seu lado. Apontou para o meu nome Num livro já fechado. Depois vieram os gigantes, Com os olhos atrás da névoa. Cada passo fazia a terra Parecer uma folha morta. Corri por entre as pernas, Por ruas sem direção. Mas uma mão do tamanho de uma torre Fechou-se sobre a cidade em vão. E quando olhei para cima, Vi o céu a desaparecer. Os gigantes não me perseguiam… Só queriam que eu os visse crescer. [Refrão — Voz mais intensa, baixo sustentado] Leva-me daqui, Não me deixes adormecer. Há monstros no escuro Que sabem o que eu temo ver. Há gigantes sobre as casas, Há mil mortos no jardim. E quanto mais tento fugir, Mais o sonho foge de mim. Leva-me daqui, Eu já não quero explorar. Porque tudo o que me assusta Aprendeu a sonhar. [Verso 3 — Piano dissonante, baixo quase pulsante] Há esqueletos nos corredores, Com os dentes a tilintar. Batem à porta três vezes, Mas não há porta para fechar. Há bonecos nas prateleiras Que aparecem mais perto de mim. E os retratos da parede Têm o meu rosto no fim. Há um mar por baixo da cama, Sem superfície ou luar. Se me inclino sobre as águas, Ouço alguém a respirar. Há rostos sem olhos nas ruas, Há espelhos sem reflexo algum. E as sombras seguem os meus passos Quando não existe luz nenhuma. Há uma casa onde as vozes Falam com a minha voz. E chamam-me de uma divisão Onde nunca estivemos nós. [Ponte — A música cresce lentamente] Corro, mas o chão alonga-se. Grito, mas não sai som. As paredes respiram fundo, E o silêncio perde o tom. Vejo portas a multiplicar-se, Vejo o teto a descer. E uma criança ao fundo do túnel Que parece saber quem vou ser. Ela não tem cara, Mas eu reconheço o seu andar. Usa a roupa que eu vestia Quando tinha medo de apagar a luz ao deitar. Diz-me: «Tu construíste este mundo Com tudo o que escondeste de ti.» E todas as portas se abrem. E todos vêm atrás de mim. [Clímax — Piano intenso, baixo profundo, percussão lenta e distante] A Morte levanta-se da cadeira. Os gigantes dobram-se ao passar. Os esqueletos enchem as ruas, E o mar começa a transbordar. Os bonecos viram a cabeça. Os espelhos começam a rir. As sombras deixam de me imitar… E começam a fugir de mim. Porque há algo atrás de todas elas, Algo que não consigo ver. E pela primeira vez neste sonho, Até os monstros parecem ter medo de me conhecer. [Refrão Final — Intenso, mas melancólico] Leva-me daqui, Eu só quero amanhecer. Já conheço todos os monstros, Já não sei o que temer. A Morte espera à minha porta, Os gigantes olham para mim. E as sombras que me perseguiam Agora escondem-se no fim. Leva-me daqui, Já não quero explorar. Se este mundo é feito de sonhos, Porque não me deixa acordar? [Outro — O instrumental desaparece, resta o piano] Abro os olhos. O quarto está vazio. A manhã entra pela janela. Tudo parece tranquilo. Sento-me na cama, Tento esquecer o que vi. Então olho para o espelho… E o meu reflexo Ainda está a dormir. [Última nota de piano — Silêncio.]
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